| Níveis seqüenciais do desenvolvimento da preensão |
RESUMO
Este artigo compara os estudos de Gesell, Piaget e Halverson sobre o desenvolvimento
da preensão do bebê humano e relaciona as teorias com aplicações
clínicas. Um quadro descritivo ilustra técnicas de tratamento
e sugere atividades de estimulação para cada fase do desenvolvimento;
seu uso é demonstrado por um estudo de caso com quatro anos de aplicação
clínica.
ABSTRACT
This article compares the Gesell, Piaget, and Halverson studies on the development
of prehension in the human infant and relates the theories to clinical application.
A descriptive chart illustrates treatment techniques and suggests stimulation
activities for each stage of development; its use is demonstrated by a case
study of four years of clinical application.
Os
terapeutas ocupacionais podem prestar significativa contribuição
para programas de tratamento de crianças com deficiência de desenvolvimento,
que apresentam anormalidade ou atraso em sua capacidade de preensão.
Este artigo tem por finalidade comparar várias teorias de níveis
seqüenciais de preensão anormais, relacioná-las com as aplicações
clínicas e ilustrar técnicas de tratamento por meio da descrição
de um estudo de caso.
A preensão atinge sua mais alta complexidade no ser humano. O estudo
da preensão concentra-se na observação das fases dos padrões
de maturação em crianças normais. As crianças com
deficiência de desenvolvimento necessitam de programas de intervenção
estruturados de modo a prevenir os desvios e estimular sua aprendizagem. O processo
de tratamento consiste de um procedimento sistemático, baseado no pressuposto
de que o desenvolvimento normal é compreensível, passível
de ser prognosticado e que pode ser recomeçado depois de corrigidas as
condições que causaram o desvio.
Revisão da literatura
Gesell, Piaget e Halverson realizaram importantes estudos sobre preensão,
dentro do esquema de suas teorias individuais sobre o desenvolvimento total
da criança.
Os estudos de Gesell tratam do desenvolvimento e do crescimento que produzem
alterações de estrutura correlacionados com alterações
de função. Ele observou comportamentos reflexos, voluntários,
espontâneos e adquiridos, em mais de 10 mil bebês.
Piaget concluiu, a partir de observações detalhadas de seus três
filhos, que a progressão dos níveis seqüenciais de desenvolvimento
depende do estado de ajustamento alcançado em cada nível anterior.
Suas teorias de adaptação, acomodação e assimilação
baseiam-se na auto-regulação da criança, que depende não
do reforço positivo ou negativo de origem externa, mas sim da redução
da incerteza, ou reforço interno.
Halverson pesquisou áreas especializadas de função, visando
ampliar a compreensão do crescimento e do comportamento humano. Seus
estudos analíticos de preensão em bebês registraram em filmes
três comportamentos principais: atenção visual, aproximação
e preensão.
Os três autores acreditavam na regularidade do crescimento humano e na
previsibilidade parcial do comportamento humano. Gesell considerava que todos
os padrões de maturação dependem muito mais da prontidão
neuromotora do que de fatores ambientais; Halverson, igualmente, concluiu que
o controle motor nos bebês progride inequivocamente de acordo com a ordem
filogenética. Para Piaget, no entanto, o ambiente desempenha um papel
significativo. Ao contrário de Gesell, que preferia atribuir diferenças
entre crianças a flutuações no mecanismo de auto-regulação,
Piaget explicava as diferenças na qualidade de aquisição
de habilidades pela variedade de experiências de cada criança.
Gesell considera que a função manual se desenvolve, como outros
comportamentos motores, pela expansão do sistema reflexo total, isto
é, dependendo primeiramente de certas posturas e chegando, de forma gradual,
a ser independente e versátil, de perfeita sinergia. Por exemplo, o reflexo
tônico cervical assimétrico facilita a preensão, promovendo
em primeiro lugar a fixação visual na mão. Gradualmente,
o reflexo leva ao exame atento da mão, à aproximação
ativa e finalmente à manipulação do objeto. Piaget partiu
da preensão reflexa passando por reações circulares nas
quais a assimilação somente ocorre pela repetição
e, por meio da acomodação, atinge as primeiras fases da preensão.
Halverson considera reflexivos e exagerados todos os movimentos primários,
devido à imaturidade dos centros inibidores. Assim como Gesell, ele concluiu
que o controle emerge gradualmente, à medida que as atitudes posturais
vão se integrando corticalmente, tornando-se voluntárias. Na opinião
de Halverson, o desenvolvimento da preensão começa com a localização
visual do objeto, passando pela aproximação da mão para
chegar, finalmente, à preensão direta, desde o reflexo de preensão
mais primitiva até as formas mais maduras.
IMPLICAÇÕES NAS DEFICIÊNCIAS DE DESENVOLVIMENTO
Illigsworth expressa uma opinião muito compatível com as de Gesell
e Piaget, no sentido de que a aquisição de várias habilidades
depende da maturação do sistema nervoso. A prática, por
si só, não pode fazer com que uma criança aprenda certas
habilidades de preensão, se o sistema nervoso não estiver pronto
para tal. Por outro lado, o atraso também pode ocorrer caso não
haja oportunidades suficientes de se praticar essas habilidades quando a maturação
do sistema nervoso já foi alcançada. Montessori estava entre os
primeiros a reconhecer a importância de períodos de aprendizagem
sensitiva para a criança em idade pré-escolar, bem como o momento
crítico de aprender a usar a mão. Ela dizia que a mão é
o instrumento da inteligência.
O bebê anormal, entretanto, tem um sistema nervoso que não pode
amadurecer harmonicamente, devido a seqüelas de lesões cerebrais.
A maioria dos atuais métodos terapêuticos recomenda procedimentos
que dão aos pacientes ampla oportunidade de seguir padrões seqüenciais
de desenvolvimento. Acredita-se que, cada fase, ao se completar, intensifica
a função fundamental e miniminiza a deficiência.
Estas teorias podem ser aplicadas à estimulação do desenvolvimento
da preensão. Se a criança que sofreu lesão cerebral for
considerada uma vítima de experiências sensoriomotoras anormais
devido a reflexos primários e tônus muscular anormal, então,
com tratamento especial, deve-se inibir esses reflexos para facilitar o tônus
muscular normal. Além disso, para preparar o terreno para a coordenação
precisa da preensão e da manipulação, as técnicas
de facilitação devem ser empregadas dentro do processo seqüencial.
Atividades lúdicas podem ser usadas como reforço em cada etapa,
para preparar a etapa seguinte. O quadro Desenvolvimento Seqüencial da
Preensão mostra uma representação pictórica dos
níveis seqüenciais da preensão, os termos descritivos e a
estimulação sugerida.
ESTUDO DE CASO
Uma menina gêmea, de nascimento prematuro, teve, com um ano de idade,
um diagnóstico de paralisia cerebral. Já havia, por parte dos
pais, uma suspeita de cegueira e surdez, porque a criança não
reagia aos sons voltando a cabeça, e não acompanhava com os olhos
o movimento de objetos. Ao encaminhar a criança para a terapia ocupacional,
o médico mencionou quadriplegia, lento desenvolvimento motor e duvidosa
acuidade visual. As solicitações específicas incluíam
atividades de estimulação, de movimentos recíprocos e cinesioterapia
através de movimentos passivos. A menina iniciou o tratamento aos 15
meses de idade. À medida que os exercícios diminuíam a
espasticidade, a criança apresentava maior reação ao ambiente,
o que demonstrava serem mínimos seus aparentes déficits de audição
e visão. A incapacidade de girar a cabeça e a coordenação
dos músculos oculares podem ter sido as causas de sua não reação
aos estímulos visuais e auditivos. Antes do tratamento ela não
sustentava o olhar, não rolava o corpo e não ficava sentada. Ela
não tentava alcançar e pegar um objeto, nem conseguia manter a
preensão quando o objeto era colocado em sua mão. Geralmente mantinha
fechadas ambas as mãos.
Histórico
A seguir, um histórico descrevendo a idade cronológica (IC) da
paciente, seu nível de desenvolvimento de preensão (NDP), as atividades
de estimulação usadas em programas de terapia ocupacional em casa
e na escola, e suas reações, do primeiro ao quinto ano de idade.
IC: 1 ano. NDP: 12 semanas. Chocalhos, guizos e caixas de música de diferentes
texturas, cores e qualidade sonora foram suspensas sobre o berço da paciente
ou colocados no piso, dentro do seu campo visual. Pompons e pequenos guizos
foram pregados a um elástico e colocados nos pulsos e nos tornozelos
da paciente. Esferas de aço polido, presas por fios a uma haste, foram
postas em movimento ao sol. O contato visual começou a melhorar.
IC: 17 meses. NDP: 16 semanas. Os dedos da paciente foram cobertos de melado,
para incentivá-la a levá-los à boca; nos dedos foi aplicada
uma fita adesiva para estimular o movimento de ambas as mãos na linha
média. Ela começou a estender a mão para alcançar
argolas de plástico suspensas sobre o berço o que conduziu à
preensão primária ou estágio de varredura com os dedos.
IC: 19 meses. NDP: 20 semanas. A paciente começou a tentar alcançar
os brinquedos, tanto deitada em prono como em supino. Quando aprendeu a rolar,
ela combinava os movimentos de rolar e alcançar, para conseguir pegar
brinquedos dentro de todo o seu campo visual. À medida que suas mãos
se abriam com mais freqüência, notava-se menos a antiga postura de
mãos fechadas.
IC: 21 meses. NDP: 24 semanas. Quando os brinquedos caíam, a paciente
começou a usar a pegada palmar para apanhá-los. Para estimular
o movimento de mão à boca, um pirulito foi colocado na mão
da menina e guiado à boca. Ela metia os dedos na comida e os lambia.
Essa exploração, mesmo causando desordem e sujeira, era encorajada
para motivar a manipulação de texturas, para iniciar um feedback
sensoriomotor e para a paciente aprender novos movimentos por meio de ajuste
funcional.
IC: 23 meses. NDP: 28 semanas. A paciente usou a preensão radialpalmar
para pegar os alimentos como biscoitos e bolinhos. Começou a transferir
objetos de uma mão para a outra. Para incentivar a atividade de transferência,
usou-se uma bola de papel laminado amassado presa à mão com fita
adesiva; a menina tentou arrancá-la com a outra mão. O fato de
se alimentar de forma independente era um início de sua futura capacidade
de usar instrumentos, como colher, lápis, martelo.
(Nota: A esta altura houve uma tentativa de ensinar a paciente a usar uma colher
com o cabo adaptado, preso à mão com uma faixa elástica.
Isso produziu uma atividade reflexa anormal, que extravasou para suas outras
extremidades. Uma criança normal aprende a usar a colher na faixa de
um ano, aproximadamente. Esta criança, com idade cronológica de
2 anos, tinha a capacidade motora de um bebê de seis meses, e dela não
se poderia esperar que conseguisse realizar movimentos precisos, fora da seqüência.
A presença de movimentos anormais em qualquer atividade récem-introduzida
pode significar uma apresentação prematura. Já que a terapia
dá ênfase aos padrões fundamentais executados normalmente
sem levar em conta algum atraso cronológico, a paciente não deveria
ser estimulada a realizar movimentos de maneira anormal ou com esforço
excessivo.)
IC: 25 meses. NDP: 32 semanas. O uso da preensão de pinça inferior
pela paciente adaptou-se bem a objetos de tamanho pequeno e de pouca espessura.
Ela aprendeu a abrir portas de armário e gavetas baixas, tendo assim
acesso a utensílios de cozinha, vasilhas de plástico e tampas.
Sua destreza aumentou e ela aprendeu a pegar o chocalho pela argolinha; demonstrou
melhora na coordenação olho-mão, ao manipular bolas de
vidro no espaço.
IC: 26 meses. NDP: 36 semanas. A paciente usou a preensão radial-digital
para pegar cubos de madeira, mas teve dificuldade em soltá-los. Emergiu
o padrão típico de lançamento. Num esforço de colocar
os cubos num recipiente ela demostrou falta de controle preensor. Houve uma
sessão de treinamento, que consistiu em guiar o punho e a mão
da menina para pegar o cubo e colocá-lo no recipiente, para dar a ela
a informação correta de retorno proprioceptivo. A paciente conseguiu
a repetição, pois estava motivada a praticar por si mesma, com
uma grande caixa de cubos e animadamente demonstrou o aumento de sua habilidade.
Para colocar um cubo no lugar certo ela usou ambas as mãos para obter
maior firmeza.
(Nota: A capacidade de soltar um objeto aparece às 40 semanas de idade
e só chega à perfeição às 52 semanas. Esta
criança, cujo nível de preensão era de 36 semanas, não
possuía a maturidade neurológica para colocar unilateralmente
o objeto, mas conseguiu o resultado desejado com a ajuda bilateral.)
IC: 2 ½ anos. NDP: 40 semanas. A paciente começou a puxar o cordão
de brinquedos e bonecas falantes. Usando a preensão de pinça inferior
ela pegava uma torrada com o polegar e o indicador. A mão esquerda ficou
mais adiantada que a direita. Para ajudar a desenvolver a coordenação
bilateral e melhorar o desempenho da mão direita, foi introduzida a atividade
de rasgamento de papel: a menina recebeu ajuda até conseguir rasgar o
papel independentemente. No princípio foram usados jornais e aparas de
papel; mais adiante, para aumentar a sua força, ela passou a rasgar tecidos
leves. Bater palmas ao som de música também serviu para melhorar
seus movimentos rítmicos e a simetria de movimentos.
IC: 3 anos. NDP: 40 semanas. A paciente começou a comer com colher, usando
a preensão radial-digital com a mão pronada. Os movimentos mão-boca
continuaram a melhorar. Ela foi incentivada a beber com as duas mãos.
Nisto, também, ela conseguiu primeiramente a preensão; só
mais tarde conseguiu colocar o copo sobre a mesa sem derramar o líquido.
(Nota: A importância do conhecimento cognitivo adquirido pela experiência
sensoriomotora foi ilustrada pela primeira tentativa que a paciente fez de beber
sentada no chão, em vez de sentada na cadeira alta, com apoio nas costas.
A menina recebeu um copo-dágua quando estava sentada no chão
com as pernas estendidas. Sua habilidade de se sentar ainda não era suficiente
para manter a posição quando ela inclinou a cabeça para
trás, sentindo-se desequilibrada quando começou a beber. Ela olhou
o copo, olhou o piso, e decidiu se deitar em supino para resolver o problema
(reversão à postura anterior). Curvou-se para frente, inclinou
o copo e recebeu, com grande surpresa, um jato dágua no rosto.
Quando lhe foi dado um outro copo-dágua, o comportamento dela já
se modificou pela experiência; ela permaneceu sentada mas, ainda insegura
quanto ao equilíbrio, girou o corpo de modo a apoiar-se contra a parede
enquanto bebia.)
IC: 4 anos. NDP: 40 semanas. A paciente ainda usava padrões primitivos
de preensão. Parecia ter se fixado nesses primeiros níveis e não
desenvolveu a habilidade de usar o dedo indicador para apontar, para pegar objetos
miúdos com os dedos em pinça; tampouco desenvolveu plenamente
o subseqüente controle motor.
UM PROGRAMA ESPECIALIZADO
Fixação do olhar e acompanhamento de movimento com os olhos. O
terapeuta usou uma pequena lanterna (tipo caneta) numa sala escura, para lançar
um ponto de luz na parede. A mão da paciente era guiada, com o indicador
tocando o ponto luminoso e seguindo lentamente a luz, em todas as direções.
À medida que a criança conseguia manter o indicador apontando
e os outros dedos fletidos, diminuía - e posteriormente eliminou-se -
o controle do terapeuta.
A atividade com giz. O padrão de extensão do indicador era reforçado
guiando-se a mão da criança sobre giz, com o dedo indicador estendido.
A criança devia traçar linhas retas e curvas, usando a mão
esquerda. A mão direita se destinava a segurar o apagador e a limpar
o quadro de giz.
Brinquedos adaptados. Numa tampa de balde plástico foram feitos orifícios
ligeiramente menores do que cubos de espuma de plástico. A criança,
com ajuda, apanhava os cubos com a mão direita, transferia-os para a
mão esquerda e, com o indicador esquerdo estendido, os fazia passar pelos
orifícios. O controle do terapeuta foi gradualmente diminuído
e finalmente eliminado.
IC: 5 anos. NDP: 40 semanas. A paciente podia manter o indicador estendido,
com os outros dedos fletidos, para seguir a luz da lanterna e para empurrar
os cubos de espuma na tampa do balde. Ela necessitava de ajuda para estender
o indicador quando segurava o giz. Para segurar objetos grandes ela usava o
movimento de pinça inferior, com o polegar ainda um tanto aduzido, porém
pressionando em direção à junta inter-falangeana distal
do indicador. Objetos pequenos ainda forçavam a paciente a reverter para
uma preensão radial-palmar, com toda a mão, o que se mostrou ineficiente.
O punho dela tendia a tomar a posição pronada e flexionada, principalmente
a direita, que provavelmente será sempre mais defasada que a esquerda.
A ênfase do programa foi sobre o desenvolvimento do movimento de pinça:
ETAPA 1
O terapeuta colocava pequenos objetos, como, por exemplo, uma pedra de jogo
de damas, entre o polegar e o indicador da paciente, ajudando-a a manter a preensão
e a soltar o objeto quando desse um sinal. Depois, ía reduzindo gradualmente
a preensão, até que a paciente pudesse realizar a ação
sem ajuda.
ETAPA 2
A pedra de damas era segura pelo terapeuta até que a paciente tentasse
alcançá-la e a segurasse somente com o polegar e o indicador.
ETAPA 3
A paciente era ajudada a retirar a pedra da mesa, usando o movimento de pinça.
A ajuda foi diminuindo gradualmente.
RECOMENDAÇÕES
Os professores mais eficientes são os próprios bebês e as
crianças. Para que o terapeuta ocupacional possa obter bons resultados
clínicos, deve dedicar-se principalmente à observação
deliberada e sistemática das crianças e seu comportamento. A criança
deficiente, tanto quanto a não-deficiente, se desenvolve num contexto
de fases progressivas de maturidade. Somente quando reconhece a necessidade
de desenvolvimento da criança e descobre o estilo próprio ou o
método de crescimento dela é que o terapeuta pode ajudá-la
a atingir plenamente seu potencial.
CONCLUSÃO
A comparação das teorias de Gesell, Piaget e Halverson sobre o
desenvolvimento da preensão mostra semelhanças nas seqüências
descritivas e nos conceitos de maturação que vão dos movimentos
reflexos aos voluntários. As técnicas de facilitação
usadas nas fases de desenvolvimento normal aqui descritas têm relação
com o tratamento de crianças com deficiência de desenvolvimento.
O uso de um quadro pictórico recapitulando o desenvolvimento da preensão
e sugerindo atividades de estimulação é ilustrado por um
estudo de caso com quatro anos de duração.
Na página seguinte, um quadro descreve as primeiras fases do desenvolvimento
seqüencial da preensão.
Rhoda Erhardt tem o grau de Bacharel e é terapeuta ocupacional na unidade
móvel de terapia da Easter Seal, Fargo, Dakota do Norte, E.U.A. fazendo
curso de pós-graduação no departamento de desenvolvimento
infantil e relações familiares da Faculdade de Economia Doméstica
da Universidade Estadual de Dakota do Norte, 1995. Tradução: Elza
Viegas. Revisão: Paulo Felicíssimo e Vera Lúcia Vogel.
Traduzido do The American Journal of Occupational Therapy, novembro-dezembro,
v. 28, n. 10, 1975. Copyright 1975 - American Occupational Therapy Association
(Associação Americana de Terapia Ocupacional).
Desenvolvimento Seqüencial da Preensão
IDADE (semanas) DESCRIÇÃO ESTIMULAÇÃO
12 Reflexa, com predomínio do lado ulnar; não alcança sem
contato visual. Colocar objetos na mão; pendurar brinquedos no berço
para estimular o contato visual e o acompanha-mento de movimentos com os olhos.
16 Leva as mãos à boca; brinca com os dedos das duas mãos
na linha média; não há preensão visualmente direcionada
sem que a mão e o objeto estejam no campo visual. Brinquedos suspensos,
ao alcance de varredura; brinquedos no chão, dentro do campo visual e
ao alcance da mão.
20 Pegada primitiva; raspagem; usa somente os dedos, sem envolvimento do polegar
ou da palma. Ato de pegar simultâneo com o contato visual. Brinquedos
de texturas, cores, tamanhos, formatos e pesos variados.
24 Preensão palmar primitiva; ainda sem participação do
polegar; olhos e mãos se combinam em ação conjunta. Colocar
brinquedos em diferentes posições, para forçar olhos e
mãos a procurar.
28 Preensão radial-palmar, utilizando a mão como um todo; predomínio
do lado radial; começa a adução do polegar; leva uma das
mãos ao objeto; explora o objeto, transferindo-o de uma mão para
a outra. Brinquedos que podem ser apanha-dos com uma das mãos e transferido
para a outra; devem ser laváveis e de tamanho adequado para impedir que
sejam engolidos.
32 Preensão de pinça inferior ou de palma superior; conhecida
como preensão simiesca, caracterizada pela flexão dos dedos e
adução do polegar; ainda não se observa o movimento de
oposição. Brinquedos com circunferências menores e menos
espessas, para fortalecer a adução do polegar.
36 Preensão radial-digital, utilizando predomi-nantemente a polpa do
indicador; os dedos do lado radial pressionam o objeto; o polegar começa
a desenvolver oposição, pressionando em direção
à junta inter-falangeal proximal; ajustamento fino dos dedos. Materiais
maleáveis, inclusive areia, argila, fios de lã, papel fino, fitas;
e vários tipos de comida que se pegam com a mão, para que a criança
os explore e coma sem ajuda.
40 Preensão de pinça inferior entre a superfície ventral
do polegar e o indicador, na altura da articulação inter-falangeana
distal do indicador; indicador estendido e os outros quatro dedos fletidos;
começa a soltar objetos voluntariamente. Muitos objetos pequenos, de
formatos variados, para apalpar e examinar; brinquedos com orifícios
ou reentrâncias para explorar.
44 Preensão de pinça aperfeiçoada, com ligeira extensão
do punho. Objetos minúsculos, como cereais em flocos, para pegar e soltar
52 Preensão superior do indicador, ou de oposição; punho
estendido e desviado para o lado ulnar para uma preensão eficiente; solta
de forma mais controlada e precisa os objetos maiores; certa inabilidade com
objetos menores. Brinquedos que possibilitam movimentos repetitivos de soltura,
como cubos e recipientes de tamanhos gradativamente menores.