| Relacionamento com pessoas cegas |
01
- Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque não
podem ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você
gosta de ver, de ler, de ouvir e falar.
02 - Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega
que você conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça
de que a natureza dotou a todos os seres de diferenças individuais mais
ou menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generalização
de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.
03 - Procure não limitar a pessoa cega mais do que a própria cegueira
o faz, impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.
04 - Não se dirija a uma pessoa cega chamando-a de cego ou
ceguinho; é falta elementar de educação, podendo
mesmo constituir ofensa, chamar alguém pela palavra designativa de sua
deficiência sensorial, física, moral ou intelectual.
05 - Não fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de não
ver não significa que não ouça bem.
06 - Não se refira à cegueira como desgraça. Ela pode ser
assim encarada logo após a perda da visão, mas, a orientação
adequada consegue reduzi-la a deficiência superável, como acontece
em muitos casos.
07 - Não diga que tem pena de pessoa cega, nem lhe mostre exagerada solidariedade.
O que ela quer é ser tratada com igualdade.
08 - Não exclame maravilhoso... extraordinário...
ao ver a pessoa cega consultar o relógio, discar o telefone ou assinar
o nome.
09 - Não fale de sexto sentido nem de compensação
da natureza - isso perpetua conceitos errôneo. O que há na
pessoa cega é simples desenvolvimento de recursos mentais latentes em
todas as criaturas.
10 - Não modifique a linguagem para evitar a palavra ver e substituí-la
por ouvir. Conversando sobre a cegueira com quem não vê, use a
palavra cego sem rodeios.
11 - Não deixe de oferecer auxílio à pessoa cega que esteja
querendo atravessar a rua ou tomar condução. Ainda que seu oferecimento
seja recusado ou mesmo mal recebido por algumas delas, esteja certo de que a
maioria lhe agradecerá o gesto.
12 - Não suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja
entrar ou o lugar aonde queira ir, contando os passos.
13 - Não tenha constrangimento em receber ajuda, admitir colaboração
ou aceitar gentilezas por parte de alguma pessoa cega. Tenha sempre em mente
que a solidariedade humana deve ser praticada por todos e que ninguém
é tão incapaz que não tenha algo para dar.
14 - Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou
companheiro, admitindo assim que ela não tenha condição
de compreendê-lo e de expressar-se.
15- Não guie a pessoa cega empurando-a ou puxando-a pelo braço.
Basta deixá-la segurar seu braço, que o movimento de seu corpo
lhe dará a orientação de que precisa. Nas passagens estreitas,
tome a frente e deixe-a segui-lo, mesmo com a mão em seu ombro.
16 - Quando passear com a pessoa cega que já estiver acompanhada, não
a pegue pelo outro braço, nem lhe fique dando avisos. Deixe-a ser orientada
só por quem a estiver guiando.
17 - Não carregue a pessoa cega ao ajudá-la a atravessar a rua,
tomar condução, subir ou descer escadas. Basta guiá-la,
pôr-lhe a mão no corrimão.
18 - Não pegue a pessoa cega pelos braços rodando com ela para
pô-la na posição de sentar-se, empurrando-a depois para
a cadeira. Basta pôr-lhe a mão no espaldar ou no braço da
cadeira, que isso lhe indicará sua posição.
19 - Não guie a pessoa cega em diagonal ao atravessar em cruzamento.
Isso pode fazê-la perder a orientação.
20 - Não diga apenas à direita, à esquerda,
ao procurar orientar uma pessoa cega à distância. Muitos se enganam
ao tomarem como referência a própria posição e não
a da pessoa cega que caminha em sentido contrário ao seu.
21 - Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa
cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede, quando
abertas. A portas e janelas meio abertas costituem obstáculos muito perigosos
para ela.
22 - Não deixe objetos no caminho por onde uma pessoa cega costuma passar.
23 - Não bata a porta do automóvel onde haja uma pessoa cega sem
ter a certeza de que não lhe vai prender os dedos.
24 - Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas
cegas, isso auxilia a sua identificação.
25 - Não saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa cega,
principalmente se houver algo que a impeça de perceber seu afastamento.
Ela pode dirigir-lhe a palavra e ver-se na situação desagradável
de falar sozinha.
26 - Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontrá-la
ou ao despedir-se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso
amável.
27 - Não perca seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe: Sabe
quem sou eu?... Veja se adivinha quem sou?. Identifique-se
ao chegar.
28 - Não deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas
presentes, assim procedendo, você facilitará a integração
dele ao grupo.
29 - Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe é desconhecido,
oriente-a de modo que possa locomover-se sozinha.
30 - Não se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer incorreção
no seu vestuário.
31 - Informe a pessoa cega com relação à posição
dos alimentos colocados em seu prato.
32 - Não encha a xícara ou o copo da pessoa cega até a
beirada. Neste caso ela terá dificuldades em mantê-los equilibrados.
33 - O pedestre cego é muito mais observador que os outros. Ele desenvolve
meios e modos de saber onde está e para onde vai, sem precisar estar
contando os passos. Antes de sair de casa, ele faz o que toda gente deveria
fazer: procura informar-se bem sobre o caminho a seguir para chegar ao seu destino.
Na primeira caminhada poderá errar um pouco, mas depois raramente se
enganará. Saliências, depressões, ruídos e odores
característicos, ele observa para sua maior orientação.
Robert
Atkinson(Diretor do Braille Institute of America, California)
- Adaptação feita pela equipe técnica da Divisão
de Documentação e Informação do Departamento Técnico-Especializado
e da Divisão de Reabilitação do Departamento de Atendimento
Médico, Nutricional e de Reabilitação do Instituto Benjamin
Constant, contanto com a participação da Associação
Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais - ABEDEV.
Fonte: Extraído da revista Benjamin Constant número 01 - setembro de 1995 - publicação técnico científica do Centro de Pesquisa, Documentação e Informação do Instituto Benjamin Constant (IBCENTRO/MEC).