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União dos profissionais da área da educação de deficientes visuais: um desafio

Celina Bitencourt de Mendonça Campos - Ethel Rosenfeld

Brasília, novembro de 1968: encerramento do II CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS. Nas deliberações da Assembléia Geral de Encerramento do Congresso verifica-se a necessidade de se organizar "uma entidade, de caráter privado e de âmbito nacional, que cuide do desenvolvimento das técnicas especializadas no campo da educação dos deficientes visuais, através de congressos, seminários e encontros e promova o seu oportuno reconhecimento como entidade de utilidade pública;" (Anais do II CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS).
É criada a ABEDEV, com a adesão de um grande número de educadores participantes do Congresso. No seu estatuto definiu-se a Associação como “uma sociedade civil, autônoma, sem fins lucrativos, organização técnico-administrativa constituída pela classe dos profissionais que atuam no campo de educação e reabilitação de deficientes visuais em todo território nacional”.
Foi um momento de encontro, troca de experiências, apresentação de teses dos profissionais envolvidos na educação de deficientes visuais. Nem sempre houve total concordância em todos os pontos abordados, mas a discussão foi de grande valor para o levantamento de questões a serem estudadas, pesquisadas e discutidas em outros seminários e congressos.
Este congresso foi organizado de forma a permitir "debates em grupos de trabalho, tendo sido bastante satisfatório o número de trabalhos inscritos. As conclusões dos grupos, assim como os trabalhos, foram publicados nos Anais do Congresso e revelaram o pensamento da maioria dos participantes, profissionais atuantes na educação especial."
Houve uma grande representatividade de várias regiões do país, com adesão de instituições particulares e governamentais. Aqui, no Rio de Janeiro, o Instituto Benjamin Constant ofereceu um ônibus que conduziu à Brasília os congressistas e observadores, tanto do Instituto Benjamin Constant, como da Secretaria de Educação e Cultura da Guanabara (Seção de Ensino Especial), e da Secretaria de Serviço Social da Guanabara (Instituto Oscar Clark). Foi iniciado aí um importante entrosamento entre os profissionais de diversas áreas.
Foi de vital importância a atuação da Professora Dorina Nowill, então Diretora Executiva da CAMPANHA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE CEGOS, do Ministério de Educação e Cultura e Presidente da Comissão Executiva do II CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS.
Na Assembléia Geral de Instalação dos Trabalhos a professora Dorina Nowill já apontava a necessidade da união e a responsabilidade dos professores no destino da educação:
"Neste mesmo mês, possivelmente nesta mesma hora, a UNESCO, reunida em Paris desde 10 de outubro até 20 de novembro, estuda novas proposições, a fim de programar e estabelecer uma política universal no campo da educação especial. Estou certa de que no mundo inteiro, o trabalho de grupos como o nosso, que hoje aqui se reúne, será o alicerce para que a própria UNESCO possa oferecer a todos os Países do mundo, a todos os Governos, a todos os Ministérios de Educação e a todos os educadores, sugestões, recursos, programas, de acordo com as verdadeiras necessidades da educação especial; de modo que a responsabilidade, acima de tudo, é nossa. Nós dizemos que o Governo não faz. Quando, porém, os educadores querem verdadeiramente, o Governo faz e fará. Somos os maiores responsáveis, porque assumimos o compromisso, na nossa vida, de trabalhar e lutar pela educação de deficientes visuais. Somos também, aqueles que, depois de um dia de trabalho, voltam para casa, para os nossos Estados, em todos os recantos do País, satisfeitos de termos cumprido com o nosso dever de professores, de educadores, talvez não obtendo tudo aquilo que poderíamos desejar, mas, pelo menos, conseguindo, passo a passo, grão a grão, os recursos, as leis e os programas que os educandos deficientes visuais esperam, acima de tudo, de nós."
A ABEDEV teve como seu primeiro berço o Instituto Oscar Clark da Secretaria de Serviço Social da Guanabara, e da mesma forma que uma criança vai se desenvolvendo, descobrindo-se, ganhando amigos, foi também dando seus primeiros passos, organizando-se com as dificuldades de uma Associação Nacional, com uma diretoria espalhada por diferentes estados, sem recursos palpáveis e com a maioria de sócios formada por professores, classe com grandes ideais mas com pouca remuneração. Foram sendo organizados encontros, seminários, congressos, elegendo-se diretorias, surgindo novos sócios, outros desistindo, modificando-se o estatuto, ampliando-se a diretoria, mas mantendo o cerne que provocou a sua criação.
Os objetivos hoje buscam a valorização profissional dos associados através de gestões políticas e administrativas de modo a garantir o padrão de qualidade do atendimento aos deficientes visuais, a melhoria e a ampliação de serviços e atendimentos especializados, a assessoria a programas vinculados ao atendimento de pessoas portadoras de deficiência visual, a contribuição, na medida de suas possibilidades, para a melhoria da qualidade de vida das pessoas portadoras de deficiência visual, a promoção de cursos, congressos, o incentivo de intercâmbio técnico-profissional com outros organismos nacionais e internacionais, e a participação em programas de prevenção da cegueira.
Sendo profissionais que acreditamos no nosso trabalho e esforço precisamos manter esta unidade que nem sempre os governos podem favorecer. É preciso conhecermos as nossas realidades, o que estamos fazendo, quais as nossas descobertas. O fim do Século XX não é o momento de nos enclausurarmos em nossos saberes e técnicas, assim como em nossas dificuldades. É o momento de união, de apoio nos desafios, das trocas de experiências.
Segundo Goethe:
"Enquanto não estivermos compromissados, haverá hesitação, a possibilidade de recuar, e sempre, a ineficiência. Em relação a todos os atos de iniciativa (e de criação), existe uma verdade elementar cuja ignorância mata inúmeros planos e idéias esplêndidas: que no momento em que definitivamente nos compromissamos, a providência Divina também se põe em movimento. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia."

É importante lembrar e agradecer aos presidentes que trabalharam para que a ABEDEV fosse uma realidade:
- 1968 - 1971: Marialva Feijó Frazão Costa - 1971 - 1975: Maria Gisselda Pelissari
- 1975 - 1983: Geraldo Saldoval de Andrade - 1983 - 1991: Adilson Ventura

Em 16 de novembro de 1995, durante a VII ASSEMBLÉIA ORDINÁRIA desta entidade, realizada em Campo Grande - MS, foi eleita e empossada a diretoria que regerá o destino da ABEDEV no quadriênio 1995/1999, ficando assim constituída:
- Presidente: Amilton Garai da Silva - Campo Grande - Mato Grosso do Sul
- I Vice-presidente: Ethel Rosenfeld - Rio de Janeiro - RJ
- II Vice-presidente: Dayse dos Santos Simões - Maceió - Alagoas
- III Vice-presidente: Maria de Fátima Silva da Rocha - Belém - Pará
- IV Vice-presidente: Adilson Ventura - Florianópolis - Santa Catarina
- Secretária Geral: Maria Gloria Batista da Mota - Brasília - Distrito Federal
- I Secretária: Marise Tostes Coimbra Jordão - Rio de Janeiro - RJ
- I Tesoureiro: Alsimir Muzel Abuchain - Campo Grande - Mato Grosso do Sul
- II Tesoureira: Ivete De Masi - São Paulo - SP
Conselho Fiscal
- Jerusa Maria Ferreira de Souza - Salvador - Bahia
- Isabela Cristina Baudson Godoi - Brasília - DF
- Elisabeth Dias de Sá - Belo Horizonte - Minas Gerais
- Sônia Maria Chadi de Paula Arruda - Campinas - São Paulo
- Olga Solange Herval de Souza - Porto Alegre - Rio Grande do Sul
- Maria Lia dos Santos - Teresina - Piauí
Em 1995 a Associação Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais promoveu diversos cursos, encontros e congressos: -CURSO DE CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS NAS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA, no Instituto Benjamin Constant, I CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDANTES CEGOS - II E III GRAUS, também no IBC, I ENCONTRO NACIONAL DE USUÁRIOS DE DOSVOX, no Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro- NEC-UFRJ, CURSO DE DOSVOX, na Universidade Federal de Alagoas, VIII CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, CURSO DE CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS PARA EDUCAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS - MODALIDADES: Sistema Braille e Sorobã, também em Campo Grande, I SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE REABILITAÇÃO BÁSICA PARA DEFICIENTES VISUAIS, CURSO PROFISSIONALIZANTE DE DATILOGRAFIA, em Maceió, Alagoas, CURSO DE INTRODUÇÃO À INFORMÁTICA COM O SISTEMA DOSVOX, também em Maceió e CURSO DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE, em Campo Grande.
OBS. Os interessados em associarem-se à ABEDEV, devem procurar os delegados locais e/ou dirigirem-se diretamente ao presidente:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCADORES DE DEFICIENTES VISUAIS - ABEDEV
A/C do Presidente
Dr. Amilton Garai da Silva
Rua Rui Barbosa, 1961 - ap. 14
CEP 79001-431 - Campo Grande - MS
- Tel.: (067) 382-1581
- fax: (067) 382-6896

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
- Anais do II CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO DE DEFICIENTES VISUAIS
- Estatuto da ABEDEV

Fonte: Extraído da revista Benjamin Constant número 02 - janeiro de 1996 - publicação técnico científica do Centro de Pesquisa, Documentação e Informação do Instituto Benjamin Constant (IBCENTRO/MEC).

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