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A utilização dos recursos óticos em sala de aula

MARIA EUGENIA FROTA DA ROCHA


Este trabalho é dedicado à professora Ruth Strauss
Agradeço ao Dr. Helder Costa, às colegas desta Coordenação, aos médicos do Serviço de Oftalmologia do Instituto Benjamin Constant e às professoras de classes de visão subnormal, sem os quais este trabalho não teria sido realizado.


1- INTRODUÇÃO
" E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
- Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo..." Guimarães Rosa (1972)

A partir de 1994, o atendimento à visão subnormal no INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT, ampliou-se com a contratação de um oftalmologista especializado em visão subnormal, como também com a aquisição de recursos óticos para utilização por seus alunos e reabilitandos. Foram adquiridos: telessistemas, lupas manuais, lupas de apoio , réguas plano-convexas e aparelhos de magnificação como o CCTV (Closed-Circuit Television) ou Sistema de Vídeo Magnificação de Imagem (SVMI), aparelho que permite ao paciente de visão subnormal visualizar textos, manuscritos ou objetos por meio de uma câmera de televisão que projeta a imagem ampliada numa tela.

Em 1994, todos os alunos de visão subnormal do Instituto foram avaliados e treinados, quando havia indicação de uso de recursos óticos nas atividades pedagógicas, recebendo os professores de classes de visão subnormal orientação técnico-pedagógica por parte do oftalmologista e dos professores da Coordenação da Estimulação da Visão Funcional do IBC.

A partir de 1995, essa equipe ampliou seu atendimento aos alunos das escolas da rede pública deste e de outros municípios, como também a pacientes encaminhados pelo Serviço Médico Oftalmológico deste Instituto e de outros serviços de saúde.

Para melhor definir os objetivos do atendimento à clientela de visão subnormal, dividimos os pacientes em dois grupos: adultos da comunidade em geral e crianças e adolescentes alunos do Instituto Benjamin Constant ou de escolas da rede pública.

Durante os anos de 1994 e 1995 foram atendidos 418 pacientes, assim distribuídos:
Pacientes de visão subnormal atendidos na Coordenação da Estimulação da Visão Funcional do Instituto Benjamin Constant em 1994 e 1995
Criança. e adolesc.do Inst. Benjamin Constant - 259 pacientes
Adultos da comunidade - 98 pacientes
Criança. e adolesc. das escolas da rede pública - 61 pacientes
TOTAL : - 418 pacientes

Considerando que este serviço foi criado com o objetivo primeiro de atender aos alunos desta Instituição, e que a maioria de sua clientela se constitui de adolescentes e crianças escolares, não se poderia deixar de ter um compromisso com a prática pedagógica. Ultrapassar os limites do diagnóstico, da terapêutica, da prescrição e do treinamento dos recursos óticos e encarar esses procedimentos não como fim em si, mas como meio para um melhor desenvolvimento e integração do aluno de visão subnormal, remeteu-nos à sala de aula, contexto que nos interessou para o desenvolvimento deste estudo.

2- OBJETIVOS
Com este trabalho, pretendemos avaliar a aceitação do recurso ótico pelo aluno nas atividades de sala de aula, como também a opinião dos professores sobre a relação entre a utilização de recursos óticos e provável melhora do desempenho nas atividades pedagógicas.

3- QUESTÕES DE ESTUDO
Basicamente o que se procurou saber, por meio de questionários, foi:
1O. Se o aluno demonstrava interesse na utilização do recurso ótico.
2O. Se o recurso era usado por iniciativa do próprio aluno.
3O. Se o aluno, na avaliação do professor, apresentava melhora no desempenho escolar com o uso do recurso.
4O. Se o professor sentia dificuldade em orientar seus alunos na utilização do recurso.
5O. Se o professor considerava o recurso útil na maioria das atividades de sala de aula.

4- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.
Para descrevermos o paciente de visão subnormal, podemos recorrer a várias definições.
Pela classificação de 1966 da Sociedade Nacional para Prevenção da Cegueira dos Estados Unidos, o portador de cegueira legal é aquele cuja visão é igual ou menor que 20/200 no melhor olho após correção, e / ou campo visual igual ou menor que 20°.
Tomando como base esses parâmetros, podemos concluir que a maioria dos pacientes com visão subnormal se encaixam nessa definição como portadores de cegueira legal, Barraga (1985).
Castro (1994) fala-nos da classificação proposta por Fonda (1965) que sugere uma divisão para visão subnormal em 4 grupos correlacionado-os ao resíduo visual e sua dificuldade de correção.
Grupo I - De percepção luminosa a 1 / 200
Grupo II - Visão de 2 / 200 a 4 / 200
Grupo III - Visão de 5 / 200 a 20 / 300
Grupo IV - Visão de 20 / 250 a 20 /60
Faye (1984) simplifica quando diz que a visão subnormal é mais uma condição funcional do que uma medida matemática. Em sua opinião, visão subnormal é um distúrbio cujo funcionamento visual é reduzido em conseqüência da diminuição da acuidade, do campo visual anormal, da sensibilidade reduzida ao contraste e de outras disfunções que impedem o indivíduo de ter uma capacidade plena comparada a uma pessoa normal da mesma idade e sexo.
O exame oftalmológico da visão subnormal difere do exame oftalmológico de rotina, porque ele determina o que pode ser feito além dos óculos convencionais, prescrevendo recursos óticos especiais.
Na educação e reabilitação dos indivíduos de visão subnormal, a utilização dos recursos óticos constitui uma prática importante e cada vez mais utilizada. O que se busca basicamente é tentar obter o máximo proveito do potencial residual da visão.
Para Castro (1994), com recursos óticos, procuramos a correção de alterações óticas dos pacientes e/ou o aumento do objeto a ser visto. Eles se dividem em: recursos óticos para longe : óculos, lentes de contato , telelupas ; e recursos óticos para perto : óculos, lupas manuais, lupas de apoio e sistemas telemicroscópicos.
No atendimento ao aluno de visão subnormal, a prescrição do recurso ótico adequado é quase sempre um procedimento importante para a obtenção de melhores condições para a aprendizagem. A escolha do recurso a ser prescrito variará sempre em função das condições visuais e necessidades do aluno e será feita após exame pelo oftalmologista especializado.
Segundo Faye (1984), é necessário que para toda prescrição de recurso ótico para visão subnormal, além de observadas as necessidades do indivíduo, haja sempre um período de treinamento que deverá preceder a prescrição definitiva. Carvalho (1994) acrescenta que o treinamento é uma oportunidade para o indivíduo conhecer, adaptar-se e adquirir o manejo necessário a uma utilização eficiente visando facilitar as atividades de vida diária e levando-o a descobrir formas de atuação adequadas à sua realidade. Corn (1983) chama atenção para o fato de que todo aquele que pretende fazer treinamento com a pessoa de visão subnormal deve estar consciente de que numerosos fatores tanto internos quanto externos podem afetar o desempenho visual.
Na opinião de Friedman (1976), para as idades de 5 a 13 anos, a sala de aula deve ser considerada como o ambiente de maior necessidade de utilização da visão e nada mais lógico que o uso inicial e bem sucedido dos recursos óticos devam ocorrer ali.
Discute-se muito a indicação ou não de telessistemas para crianças pequenas ou imaturas. Na opinião de Goodrich, (1977), o treinamento do recurso ótico, que ao profissional de visão subnormal pode parecer fácil e natural, para o aluno, torna-se altamente técnico e complexo, pois requer o desenvolvimento de novos comportamentos sensório-motores que envolvem movimentos de olho, cabeça, mão e corpo. Barraga (1977) afirma que instrumentos de aumento ou recursos óticos nunca devem ser dados a estudantes de visão subnormal de qualquer idade. Entretanto Faye (1984) nos aponta para outra direção quando diz que, embora o uso de dispositivos telescópicos requeira prática e repetição, telessistemas devem ser prescritos o mais cedo possível para encorajar a criança a estar consciente da distância dos objetos e não para se tornar autoconfiante no uso do recurso ótico. Segundo Barraga (1977), a prescrição de auxílios óticos para crianças em idade escolar tem-se tornado cada vez mais comum.
Com relação à privação de experiências visuais a que a criança deficiente visual está sujeita, Friedman (1976) considera a prescrição de recursos óticos para longe como sendo de maior importância do que a de recursos para perto, porque põe a criança em contato visual com a maior parte de seu ambiente, tanto na sala de aula quanto nas atividades externas.
Trabalhando com estudantes no uso de aparelhos de magnificação e prescrevendo recursos óticos, Carpenter (1976), citado por Barraga (1985), afirma que a prescrição do recurso ótico pode ser para alguns estudantes, um meio de mudança em sua auto-imagem. Mudanças essas de cego para vidente, de braille para impresso, de ouvinte para leitor, de dependência para independência.
5 - METODOLOGIA
Foi solicitado a um grupo de 9 professores das turmas de visão subnormal das Classes de Alfabetização à 4ª série do 1º grau do Instituto Benjamin Constant, que respondessem a um questionário de 5 perguntas. Desse total de perguntas, 2 avaliavam o comportamento do aluno em relação ao uso do recurso e 3 eram relativas à opinião dos professores sobre o uso dos recursos óticos nas atividades escolares. Ao fim do questionário, havia espaço para sugestões e/ou observações.
Um total de 18 alunos com idade entre 8 e 18 anos, de ambos os sexos, foi observado. Esses alunos já haviam passado pela primeira consulta com o especialista, onde foi indicado o treinamento com o recurso ótico e também por uma segunda consulta, onde foi reavaliado seu desempenho com este recurso e indicada sua utilização nas atividades escolares.
Nas atividades pedagógicas que serviram de base para este estudo, foram utilizados três tipos de recursos óticos:
-Telessistemas Specwell 3x
-Réguas Plano-convexas
-Lupa Manual
O telessistema foi usado para visão à distância em atividades como leitura e cópia do quadro, leitura de cartazes e observações do ambiente em atividades internas ou externas.
A lupa manual e a régua plano-convexa, para atividades à curta distância como: observar ilustrações, leitura de palavras ou frases em livros ou materiais impressos e manuscritos.
Neste grupo de 18 alunos, 5 utilizaram tanto o telessistema para longe quanto a régua plano-convexa para leitura de perto, 12 alunos utilizaram somente o telessistema e apenas 1 utilizou a lupa manual.
6 - RESULTADOS
A análise das respostas dos professores, ao observarem seus alunos, mostra-nos que em sua maioria estes demonstram interesse pela utilização do recurso ótico em suas atividades: 15 alunos, na opinião dos professores, demonstraram interesse, e 3 alunos não o demonstraram. A partir desses resultados, percebemos que os alunos de um modo geral estavam motivados para o uso dos recursos óticos.
Onde se tentou saber se o aluno usava o recurso ótico por iniciativa própria, esta proporção se reduz um pouco quando encontramos os seguintes números: 10 alunos usavam o recurso por sua própria iniciativa, sendo que 8 não o usavam espontaneamente. Aqui achamos que esta diferença em relação à pergunta anterior que trata do interesse do aluno, pode ser atribuída ao fato de que a utilização dos recursos até aquele momento, ainda não havia sido feita por um período suficiente (em média 4 meses de utilização) e, portanto, os alunos talvez não se sentissem seguros e esperassem o consentimento ou reforço do professor para o uso do recurso ótico. Podemos acrescentar que na faixa de idade dos alunos pesquisados, o papel do professor é muito importante para a utilização do recurso, porque este aluno ainda não atingiu um nível de autonomia satisfatório e as atividades serão quase sempre dirigidas pelo professor.
Quando se procurou saber se os alunos apresentavam melhora no desempenho escolar com a utilização dos recursos óticos, os professores apontaram como tendo uma avaliação favorável 12 alunos e com avaliação desfavorável 6 alunos.
Concluímos aqui que o recurso ótico contribuiu para a facilitação das atividades escolares na maior parte dos alunos observados.
P r o c u r o u - s e, também, diretamente a avaliação do professor quanto à amplitude da utilização do recurso em sala de aula como,inclusive, se, para ele, estava havendo alguma dificuldade em orientar os alunos na utilização do recursos óticos.
Com relação à dificuldade em orientar seus alunos no uso do recurso ótico, 7 professores negaram-na, enquanto 2 afirmaram ter esta dificuldade.
Nessa coleta de dados tivemos o seguinte resultado: 5 professores não consideram os recursos óticos como úteis na maioria das atividades de sala de aula e 4 consideram que estes podem ser usados mais amplamente. É importante lembrar que a maioria dos recursos óticos utilizada nesta avaliação era de recursos óticos para longe - telessistema Speckwell 3x. Sabemos que a visão para longe não é a mais usada nas atividades de sala de aula , onde a visão para média e a para curta distâncias são as mais exigidas.
Muitas vezes o mesmo aluno faz uso dos dois tipos de recursos óticos: para longe e para perto. É freqüente a prescrição de telessistema e régua plano-convexa , telessistema e lupa manual ou telessistema e lupa de mesa .
A seguir transcreveremos as observações e sugestões que julgamos mais significativas para o nosso trabalho, feitas pelos professores pesquisados:
1 - Referindo-se ao uso do telessistema:
Obs: Quando aparecer a palavra telelupa nas falas transcritas entenda-se por telessistema Specwell 3 x.
" Nas atividades extraclasse tem um excelente desempenho, pois amplia a capacidade visual do aluno."
" Este recurso não é válido em todas as atividades de sala de aula, porque normalmente os objetos estão muito próximos ao aluno."
" Nas tarefas que exigem um distanciamento entre o aluno e o alvo de sua percepção visual, a telelupa é um excelente recurso."
" É um recurso pouco usado nas atividades cotidianas, porque a telelupa é mais empregada em tarefas que impliquem certa distância."
" Foi observada sua completa validade em alguns passeios realizados:
a ida ao Aeroporto Internacional e ao Zoológico. As crianças tiveram um aproveitamento total a partir do uso desse recurso ótico."
" A telelupa nunca foi utilizada pelo aluno. Este, ainda, não sentiu a necessidade de utilizá-la."
2 - Referindo-se ao comportamento do aluno:
"O aluno oferece resistência para usar, alega que consegue ver o quadro."
" A dificuldade de concentração e a imaturidade do aluno prejudicam a utilização de recurso ótico."

3 - Referindo-se ao treinamento e à orientação a professores:

" ... chamar o aluno ao local do treinamento, para saber como ele está usando, se está gostando ou não... Pois somente o professor orientar, não é suficiente."

" Orientar os professores quanto a importância dos recusos e principalmente como utilizá-los."
7- CONCLUSÃO
Ao fim deste trabalho concluímos que os alunos observados apresentaram interesse pelo recurso ótico apesar de nem sempre utilizá-lo por iniciativa própria, levando-nos a refletir sobre a importância da função do professor como um elemento facilitador e
estimulador do conhecimento.
A maioria dos professores afirmou que a utilização do recurso ótico traz um melhor desempenho nas atividades escolares, confirmando assim sua importância na educação dos alunos de visão subnormal.
Sabemos que uma atitude positiva do professor especializado é fundamental para o fortalecimento do vínculo tão necessário ao desenvolvimento do aluno deficiente visual. É comum encontrarmos alunos que precisam ser freqüentemente encorajados em suas atividades escolares.
Para que haja sucesso no uso do recurso ótico, é imprescindível que o professor esteja familiarizado com sua utilização e reconheça que ela trará benefícios aos alunos.
Neste trabalho, onde se buscou basicamente avaliar a aceitação e utilização do recurso ótico nas atividades de sala de aula, e acreditando que o conhecimento não é pré-existente e depende muito da interação do sujeito com o objeto, tomamos como sujeitos os alunos de visão subnormal e professores do Instituto Benjamin Constant e, como um novo objeto a ser conhecido, o recurso ótico, objeto este até então desconhecido para a maioria de nossos alunos e também para alguns professores.
Piaget, citado por Wodsworth (1984), afirma que:
"conhecer um objeto é agir sobre ele e transformá-lo, a fim de aprender o mecanismo daquela transformação, assim como sua função em ligação com as próprias ações transformadoras."
8-REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARRAGA, Natalie, Marcia Collins, James Holls. Development of Efficiency in Visual Functioing: A Literature Analysis American Printing House for the Blind - Kentucky, 1977
BARRAGA, Natalie. Programa para Desenvolver a Eficiência no Funcionamento Visual - São Paulo Fundação Para o Livro do Cego no Brasil, 1985
CARPENTER, P. Low Vision Aids: Implications of Education. Yearbook of Special Education, Chicago, 1976
CARVALHO, Keila Miriam M., GASPARETO, R. F.Maria Elizabete., VENTURUNI, Nilze Helena et al -.
Visão Subnormal- Pedagogia em Visão Subnormal, Campinas, 1992.
CASTRO, Danilo D Monteiro. Visão Subnormal - Oftalmologia. Rio de Janeiro. Cultura Médica. 1994
CORN, Anne L. - Visual Function: A Theoretical Model for Individuals with Low Vision ,Journal of Visual Impairment & Blindness, 1983
FEYE, Eleanor E.- Clinical Low Vision. . Boston/Toronto Little Brown and Company. 1984
FONDA, G. - Management of the patient with subnormal vision. St. Louis, Mosby, 1965
FRIEDMAN, Gerald R. - Distance Low Vision Aids for Primary Level School Children, The New Outlook for the Blind, Boston, 1976
GOODRICH, Gregory L., MEHR, Edwin B., QUILLMAN, Robert D., SHAW, Helen K., e WILEY, Kenneth J. - Training and Pratice Effects in Performance with Low-Vision Aids: A Preliminary Study - American Journal of Optometry & Physiological Aids - California, 1977
WODSWORTH, B. H. - Piaget para o Professor da Pré-escola e 1º Grau - São Paulo - Editora Pioneira- Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais - 1984
GUIMARÃES ROSA, JOÃO - Manuelzão e Miguilim, Rio de Janeiro- Livraria José Olympio, 1972

MARIA EUGENIA FROTA DA ROCHA é professora e Coordenadora do Programa de Atendimento à Visão Subnormal do Instituto Benjamin Constant

Fonte: Extraído da revista Benjamin Constant número 03 - maio de 1996 - publicação técnico científica do Centro de Pesquisa, Documentação e Informação do Instituto Benjamin Constant (IBCENTRO/MEC).

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